sábado, 4 de junho de 2016

Parque Residencial e Turístico de Miraflores a história da construção, parte II, os edifícios "Tulipas"





A Urbanização do Vale de Algés foi requerida por Joaquim Peña Mechó em 1960. Foi então constituída a sociedade HABITAT, presidida pelo proprietário do terreno. Esta sociedade propunha-se a desenvolver a Urbanização do Vale de Algés, bem como um plano de desalojamento do bairro de Santas Martas e Pereiro/Quinta das Romeiras com área aproximada de 1,34 hectares situados no Vale da Ribeira de Algés. «Um grande conjunto residencial, devidamente apetrechado, prevendo que as habitações venham, na sua maior parte,a ser adquiridos pelos moradores em regime de propriedade horizontal»“Á priori” previa-se que este plano não fosse aceite porque cerca de metade dos terrenos da referida quinta estavam classificados como zona rural, no entanto, essa decisão foi reconsiderada tendo em conta as vantagens sociais daí resultantes – pretendia-se constituir uma fundação, à qual seria atribuída uma contribuição de 20000 contos destinada a suprimir os bairros de barracas existentes naquele local desde os anos 40 do século XX.
 O Estudo de Urbanização do Vale de Algés foi elaborado pelo arquitecto Manuel Norberto Freire de Oliveira Corrêa, até 1963, altura em que este deixa de prestar colaboração com a empresa devido a divergências de ordem contratual com a empresa.
 Em 1970 foi apresentado o Plano de reestruturação do sector norte relativo à Urbanização do Vale de Algés com a designação – Primeira Fase da Urbanização do Parque Residencial e Turístico de Miraflores, mantendo-se como uma iniciativa da HABITAT – Empreendimentos Imobiliários S.A.R.L. agora em associação com a COMPAVE – Sociedade de Compra, Administração e Venda de Propriedade S.A.R.L. Desta primeira fase da construção merecem destaque alguns edifícios que pelas suas características permitem mais uma vez evidenciar quais os princípios base que habitualmente estes projectos seguiam.

Os edifícios "Tulipas"



 Da zona poente, próximo da Urbanização de Linda-a-Velha, destaca-se os três blocos da responsabilidade de Rui d’ Athouguia(1), iniciados em 1972.(Tulipas)
 Os três blocos, implantados paralelamente, têm a altura de 13 pisos. A cave desenvolve-se em três pisos, os dois primeiros (parcialmente enterrados) destinam-se a estacionamento e arrecadações, o terceiro piso, é tratado como um espaço polivalente para recreio dos utentes mais jovens(2), havendo a possibilidade de se prolongar para o espaço exterior. O rés-do-chão, onde se localiza a entrada do prédio é ocupado, encontra-se ligeiramente recuado em relação ao restante volume da edificação e integra a habitação do porteiro, pequenos espaços comerciais e o compartimento de recolha dos lixos. Os fogos, dois por piso, organizam-se segundo um tradicional esquema direito/esquerdo, sendo os acessos verticais efectuam-se através de uma escada e dois ascensores.«
 No que respeita à constituição, procurou-se organiza-lo [o fogo] dentro dos moldes tradicionais, proporcionando aos futuros utentes, condições de utilização e comodidade superiores ao nível habitual neste tipo de habitações, no que respeita a áreas utilizáveis, sua distribuição, materiais de acabamento e equipamento.







Sob o ponto de vista de distribuição interna(3) procurou-se conseguir um esquema orgânico e claro, de aproveitamento máximo, criando zonas bem diferenciadas consoante as suas funções e com a devida articulação entre si(4).
 Do ponto de vista construtivo, os elementos de suporte do edifico baseiam-se numa estrutura monolítica bem definida, pilares e vigas incorporados num conjunto porticado em dois sentidos ortogonais.Os pavimentos serão constituídos por lajes maciças de betão armado. As restantes paredes de fecho da estrutura, serão construídas em alvenarias de tijolo cerâmico furado. A cobertura é em telha sobre laje devidamente impermeabilizada e isolada de modo a garantir perfeitas condições de habitabilidade ao último piso da construção.Em 1983, é apresentado um projecto de alterações da responsabilidade do arquitecto Artur Parrinha(5), estas alterações são essencialmente de pormenor e de uma maneira geral não modificam o partido adoptado. Em Julho de 1984, agora da responsabilidade do arquitecto Luís Trouillet Pessoa(6), é apresentado um novo projecto de alterações, visando a substituição dos materiais da fachada que era previsto ser em betão descofrado e agora passam a ser em mosaico
EVINEL com duas cores contrastantes.

Notas :

(1) Rui de Sequeira Manso Gomes Palma Jervis de Athouguia Ferreira Pinto Basto – arquitecto inscrito na CMOeiras nº 160

(2) ATHOUGUIA, Rui d’. Memória descritiva e justificativa, obra nº 3078-PB/72, 1971, Arquivo Municipal de Oeiras.

(3) (4) Cada fogo foi dividido funcionalmente em duas zonas: zona de permanência diurna: constituída por uma sala comum, com ligação imediata a um vestíbulo de entrada e ao vestíbulo de acesso a dois quartos e instalação sanitária. A sala comum comunica com a zonade serviços através de um percurso mínimo. Os serviços são constituídos por uma cozinha devidamente equipada, uma despensa eestendal, zonas que se desenvolvem linearmente; zonas de permanência nocturna: constituída por três quartos completamente independentes, tendo um deles instalação sanitária privativa e um outro quarto situado junto á sala comum e com comunicação francacom esta zona de modo a permitir a sua integração num único espaço, funcionando este quarto como extensão da zona de estar.O último fogo, tratado como andar recuado, apresenta-nos um partido composicional mais livre, baseado na comunicação franca daszonas de permanência diurna (zona de preparação de refeições comer estar). Um pequeno vestíbulo ou antecâmara separa esta zona

(4) Artur Bernardo dos Santos Parrinha – arquitecto inscrito na CMO com o nº 1905

(5) Luís Manuel Trouillet Pessoa – arquitecto inscrito na CMO com o nº 1942



Fontes -

- [IN]FORMAR A CIDADE CONTEMPORÂNEA: a criação de uma imagem/modelo de periferia com a obra do arquitecto Fernando Silva - BRUNO ANDRÉ MACEDO FERREIRA

- Arquivo da C.M.O.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Parque Residencial e Turístico de Miraflores a história da construção




O projecto "Miraflores Lux" inicia-se em 1965, sendo coordenado pelo Engº Eurico Ferreira Gonçalves com a responsabilidade das diferentes especialidades assim distribuídas:


Arquitetura: ...Prof. Arqtº Carlos Antero Ferreira

Urbanização: Arqtº António Sérgio

Arquitetura paisagistica: Arqtº Gonçalo Ribeiro Teles
Decoração: Arqtº Pimentel Lobo
Engenharia Civil: Engº José Augusto Fernandes
Engenharia de instalações: Eng. Camacho Simões


Os trabalhos de urbanização já em curso no ano de 1965 e foram confiados á firma Alves Ribeiro,Lda.

A área total do vale de Algés onde a urbanização foi construída é de 475.000m2 e previa-se a edificação de 850.000m2 para albergar 4.500 famílias das classes mais evoluídas , com um prazo previsto de duração da construção do empreendimento de 8 anos.Miraflores, realizaria na frase de Eça de Queiroz, o sonho de uma quinta com porta para o Chiado.


A construção da localidade iniciou-se em 1969. Na altura não havia nenhuma quinta Miraflores, mas sim um conjunto de pequenas quintas e algumas áreas de residência das pessoas que laboravam nas referidas quintas, essas quintas vêm referidas em cartas Militares pelo menos desde 1800 e ainda restam duas, a quinta da Formiga junto à entrada da CRIL para Miraflores e um ultimo reduto entre o campo do UDRA e a Av. dos Bombeiros Voluntarios a quinta do Bicho da Seda.


Miraflores foi urbanizada, desenvolvida e construída por Juan Mechó (um espanhol radicado em Portugal) e pela sua empresa HABITAT (da qual partilhamos o logotipo), o conceito da urbanização, baseado nas já então construidas em Espanha, nomeadamente nos bairros de Madrid, em que a urbanização era fechada sobre si, tinha todas as infra-estruturas básicas para apoio aos residentes (supermercado, escolas, comércio e as suas infra-estruturas desportivas, no caso de Miraflores, courts de ténis e piscina), bem como a novidade para a época de cada prédio ter garagem subterrânea. Os primeiros prédios ficaram prontos (o edifício Compave hoje os nºs 37 ao 43 da Av. das Tulipas os Edifícios Orquidias os três prédios junto á esquadra da PSP e o edifício da frente das Tulipas), tendo as primeiras famílias começado a instalar-se por volta de meados de 1970.

Parque Residencial e Turístico de Miraflores a história da construção parte I, os Edifícios Compave




A Urbanização do Vale de Algés foi requerida por Joaquim Peña Mechó em 1960. Foi então constituída a sociedade HABITAT, presidida pelo proprietário do terreno. Esta sociedade propunha-se a desenvolver a Urbanização do Vale de Algés, bem como um plano de desalojamento do bairro de Santas Martas e Pereiro/Quinta das Romeiras com área aproximada de 1,34 hectares situados no Vale da Ribeira de Algés. «Um grande conjunto residencial, devidamente apetrechado, prevendo que as habitações venham, na sua maior parte,a ser adquiridos pelos moradores em regime de propriedade horizontal»“Á priori” previa-se que este plano não fosse aceite porque cerca de metade dos terrenos da referida quinta estavam classificados como zona rural, no entanto, essa decisão foi reconsiderada tendo em conta as vantagens sociais daí resultantes – pretendia-se constituir uma fundação, à qual seria atribuída uma contribuição de 20000 contos destinada a suprimir os bairros de barracas existentes naquele local desde os anos 40 do século XX.
 O Estudo de Urbanização do Vale de Algés foi elaborado pelo arquitecto Manuel Norberto Freire de Oliveira Corrêa, até 1963, altura em que este deixa de prestar colaboração com a empresa devido a divregências de ordem contratual com a empresa.
 Em 1970 foi apresentado o Plano de reestruturação do sector norte relativo à Urbanização do Vale de Algés com a designação – Primeira Fase da Urbanização do Parque Residencial e Turístico de Miraflores(1), mantendo-se como uma iniciativa da HABITAT – Empreendimentos Imobiliários S.A.R.L. agora em associação com a COMPAVE – Sociedade de Compra, Administração e Venda de Propriedade S.A.R.L. Desta primeira fase da construção merecem destaque alguns edifícios que pelas suas características permitem mais uma vez evidenciar quais os princípios base que habitualmente estes projectos seguiam.





Os Edifícios Compave




 No topo norte da urbanização, junto á alameda Fernão Lopes, destacam-se um conjunto formado por duas torres e dois blocos, os chamados edifícios "Compave"
cuja construção tem inicio em 1970(2), com a responsabilidade do engenheiro civil Manuel Rêgo(3).
 Os dois blocos, destinados à venda em regime de propriedade horizontal, com 13 pisos de habitação, estão implantados paralelamente, sendo as suas fachadas de maior dimensão expostas a nascentee a poente. O bloco confinante à avenida das Tulipas foi dividido em quatro lotes, enquanto o edifico a poente foi apenas dividido em três lotes.





O rés-do-chão é tratado como um piso vazado, sendo apenas ocupado pelo vestíbulo de entrada, possibilitando um acesso fácil á zona de logradouro panorâmico(4).
 Cada piso compreende dois fogos, sendo que cada fogo tem um acesso principal e um acesso de serviço. Os acessos verticais são assegurados por uma escada de tramos rectos, por um monta-cargas e dois ascensores, constituindo estes a coluna de distribuição vertical, que integra ainda duas condutas verticais onde irão instaladas as colunas montantes de electricidade e as instalações de gás, água e telefone. Nos estendais localizam-se condutas de recolha de lixos domésticos. Ao nível da organização interna dos fogos, houve o cuidado de os dotar de amplas varandas orientadas para sectores de interesse panorâmico. A variação ao nível do interior verifica-se com a introdução de um quarto destinado exclusivamente a pessoal de serviço e a partição da sala em zona de refeições e zona de estar. O número de quartos, quatro, mantêm-se em todos os fogos.
 Construtivamente foi prevista uma estrutura modulada de betão armado constituída por pórticos transversais e longitudinais responsáveis por resistir às solicitações verticais e horizontais.






As duas torres, que se seguiram, são da autoria do arquitecto João Castelo Branco(5), com projecto datado de 1973-1977. Cada torre com 19 pisos, destinou-se à venda em regime de propriedade horizontal, sendo ocupada exclusivamente com uso habitacional, comportando cada uma 57 fogos.
 Procurou-se um volume de linhas simples, inscrito num quadrado procurando-se integrá-lo no conjunto urbanístico em construção. Nos estudos dos alçados atendendo à elevada cércea do imóvel, houve a preocupação de realizar uma nítida marcação de elementos horizontais, devidamente equilibrados com panos de leitura vertical revertidos com material vitroso e que afigura com francas possibilidades de vir a constituir um conjunto harmonioso(6).


 O edifico engloba uma cave destinada a arrecadações privativas de cada fogo, um piso em rés-do-chão com pilares da estrutura á vista, ocupado apenas com entradas principal e de serviços, casa de porteiro e casa de lixos. No átrio principal desenvolve-se ainda uma sala de reuniões dos condóminos e uma pequena loja de apoio. Os pisos tipo, comportam três fogos, dois com quatro assoalhadas e um com cinco. Os programas são respectivamente: hall, sala de estar, sala de comer, dois quartos, duas casas de banho, zona de serviços com copa, dispensa, cozinha, zona de engomados e zona de lavagens, instalação sanitária de serviço e varanda de serviço. Os fogos de cinco assoalhadas têm mais um quarto. Todos os fogos são dotados de amplos terraços panorâmicos. No último piso habitacional, o 19º, desenvolvem-se três fogos; um apartamento com uma ampla sala comum, dois quartos, duas casas de banho e serviços (cozinha, despensa, engomados, e Instalação sanitária de serviço); uma habitação com o seguinte programa: hall, sala comum com terraço panorâmico, dois quartos, duas casas de banho e serviços de cozinha, despensa, engomados, zona de lavagens, instalação sanitária e varanda de serviço; e um apartamento com duas amplas zonas: de comer e estar e intima e respectivos serviços. Esta habitação dispõe ainda de amplos terraços panorâmicos.Cada fogo terá um acesso principal e um acesso de serviço, sendo os acessos verticais assegurados respectivamente por dois ascensores principais e dois ascensores de serviço e por uma escada que se desenvolve no átrio principal.








 Como remate do edifício a casa das máquinas dos ascensores, acesso ao terraço e uma zona coberta destinada a convívios dos condóminos. A estrutura do edifico é essencialmente constituída por: fundações por sapatas isoladas de betão armado; pórticos de betão armado; lajes maciças de betão armado; caixa de acessos verticais em betão armado a qual irá absorver os esforços resultantes da acção dos ventos e dos sismos; os restantes elementos tais como platibandas, palas, etc., serão também em betão armado. Os restantes enchimentos das paredes são em alvenaria de tijolo. Ao nível do tratamento do espaço exterior, houve a preocupação de respeitar o arranjo paisagístico elaborado para todo o conjunto.











(1) Este Plano teve despacho ministerial favorável em Janeiro de 1971, apenso aos processos 3181-PB 1698/70 (o autor deste plano, não foi possível apurar).

(2) A obra decorreu entre 1970 e 1973.

(3)Manuel Cândido Sena Rêgo – engenheiro civil inscrito na CMLoures com o nº699.

(4) Sob este logradouro, em semi-cave localiza-se uma zona de arrumação dos utentes dos fogos

(5)João Queiroz de Abreu Castelo Branco – arquitecto inscrito na CMOeiras com o nº 1888.

(6) BRANCO, João Castelo. Memória descritiva e justificativa, obra nº 208-PB/73, 1973, Arquivo Municipal de Oeiras


Fontes :

[IN]FORMAR A CIDADE CONTEMPORÂNEA: a criação de uma imagem/modelo de periferia com a obra do arquitecto Fernando Silva - BRUNO ANDRÉ MACEDO FERREIRA

Arquivo Municipal da CMO

Agradecimentos ao Nuno Picardo pela disponibilização do folheto publicitário da venda das torres Compave



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Início do restauro da Vila Garcia em Pedrouços



Classificado como Imóvel de Interesse Público, este palacete, também conhecido como Vila Garcia, exemplar de arquitectura barroca do último quartel do séc. XVIII, é o edifício principal de um conjunto de quatro edificações organizadas em torno de pátio, que delimita um recinto rectangular. A fachada principal revela um edifício de linhas equilibradas e harmoniosas, estruturado em dois pisos e delimitado lateralmente por cunhais de cantaria, com pilastras a desenhar um corpo central onde se rasga a porta principal, com emolduramento em calcário, encimada por falso frontão e ladeada por duas janelas rectangulares de verga saliente. O acesso à entrada principal, localizada ao nível do 1º andar, é feito através de escadaria de dois lanços rectos, guarnecidos de balaústres. Os corpos laterais, também desenvolvidos em dois pisos, exibem porta e janela no piso térreo e outras duas janelas de peito no piso superior. Os alçados das restantes construções surgem animados pela abertura ritmada de janelas de peito e porta, no 1º piso, e de janelas de sacada com guardas em ferro forjado, no 2º piso. Este palacete, que também pertenceu aos Duques do Cadaval, esteve durante algum tempo ocupado por famílias de fracos recursos económicos.

Fotografia de Eduardo Portugal 1950

Fotografia de Eduardo Portugal 1950


A nobreza e requinte da sua fachada, são testemunhos da fortuna dos seus antigos proprietários. Por não ser brasonado e ser denominada de Vila Garcia, deixa entender que foi construida por um abastado burguês. A sua história é por isso um tanto vaga, recorri a vários arquivos e apenas descobri no Forte de Sacavém a descrição técnica da sua arquitectura...

A propriedade tem vindo a deteriorar-se gravemente abandonada desde o ano de 2000, sofreu diversos atentados ao património azulejar de muito relevo que aí existia pela mão de um anterior proprietário, 15 anos depois avança para um restauro que a nós nos parece muito pouco indicado para um imóvel desta rara beleza e história, mas que é sem duvida melhor que a derrocada total do património

















O Projecto 




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Projecto náutico de Duarte Pacheco para o Jamor ou... mais uma oportunidade perdida






 A margem direita do rio Jamor acolheu o sonho da construção de um Centro Desportivo em Portugal. Um lugar que contemplasse o desporto de lazer e o desporto de alto rendimento. Um lugar que posicionasse Portugal nos roteiros do desporto e dos eventos internacionais e, simultâneamente, servisse de propaganda às manifestações políticas do Estado Novo.

Um espaço que, na sua essência, fosse "um grande parque, sem luxo, de relvados frescos e árvores copadas, onde a gente de Lisboa brinque, ria, jogue, tome ar puro e verdadeiramente se divirta em íntimo convívio com a natureza", e no seu objectivo final, "um lugar de recreio e escola de desporto para todos (...)".

A sua localização não foi unânime, mas a proximidade de Lisboa e a imensidão do espaço foram factores decisivos. Um projecto pensado e estruturado a longo prazo, com a possibilidade de edificação de novas construções desportivas e de lazer.



A história relata que a concepção e construção do Estádio Nacional não se deve somente a uma personalidade, mas sim a centenas, talvez milhares, de figuras da época. É nosso dever destacar: Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas e Comunicações, como o mentor e gestor de toda a obra, e os Arquitectos Paisagísticos Cristino da Silva, Carlos Ramos, Jorge Segurado, Francisco Caldeira Cabral, na criação e idealização do projecto da mancha florestal do Jamor, e por último o Arquitecto Miguel Jacobetty, como o coordenador do projecto inicial do Estádio Nacional.

O primeiro grande projecto data de 1939. Um projecto de inspiração alemã, que surgiu na linha dos grandes centros desportivos internacionais, símbolo de países autocratas e de governos de regime nacional-socialista. Este contemplava uma área total de 204 hectares desprovidos de qualquer tipo de arborização - daí a inclusão de um estudo aprofundado das espécies de árvores a plantar nas colinas e vales do Jamor - e a criação do Parque da Serra de Monsanto. Pretendia-se que fosse um espaço polivalente de desporto e lazer, que permitisse uma utilização poli facetada.

Decorria o ano de 1944 quando se inaugurou o Estádio Nacional, que contou com a presença de 50.000 espectadores e 12.000 praticantes, das mais diversas modalidades desportivas. Um espectáculo que assumiu tal grandiosidade, que ficou para sempre marcado como o momento do Desporto em Portugal.

Duarte Pacheco, no seu projecto náutico para o Jamor, pretendia expandir o complexo desportivo do Estádio Nacional até ao rio Tejo. A sua morte prematura, em 1943, acabou por condicionar essa ambição. Com o encerramento das fábricas de Lusalite e Fermentos essa ideia poderia ser recuperada mas o já aprovado plano de pormenor para a margem direita do rio Jamor tem outras ideias para o espaço: a construção de cinco torres, uma delas com 20 pisos, destinadas a habitação, comércio e serviços e um viaduto sobre a Avenida Marginal.

O plano inicial de 1939 para o Estádio Nacional, hoje denominado Complexo Desportivo Nacional do Jamor (CDNJ), previa a reconversão para fins desportivos do espaço ocupado pela antiga Lusalite e Fábrica de Fermento Holandeses, na Cruz Quebrada.

Ai, nesses terrenos entre a Avenida Marginal e o rio Tejo, Duarte Pacheco, o ministro das obras publicas e comunicações do Estado Novo, projectava uma zona reservada para desportos náuticos, marinas, cais fluviais, áreas florestais, de circulação e parque de estacionamento.

Na edição de 1943 das Memórias da Linha de Cascais, as autoras Branca de Conta Colaço  e Maria Archer recordam o que ai existia: "na margem direita do Jamor pouco há que ver nesta altura da  Cruz Quebrada. No local agora ocupado pela Fábrica da Lusalite, a fábrica de fermentos holandeses alongava-se, antigamente, o campo desportivo dos ingleses, mais antigo que as duas fábricas."

Desmanteladas as fábricas da Lusalite e dos Fermentos holandeses, há mais de 15 anos, todas as condições estavam reunidas para que o plano inicial para o CDNJ pudesse ser concretizado: num projecto de marina, ou outro projecto de âmbito recreativo e turístico neste local pode restaurar a ligação com a praia da Cruz Quebrada e o passeio marítimo Cruz Quebrada-Caxias e constituir uma ampliação do CDNJ.

Mas, não.

Isso seria a concretização do sonho de Duarte Pacheco e dos arquitectos Caldeira Cabral e Konrad Wiesner. O visionário político pretendia realizar a construção de um pulmão verde no coração de Lisboa, que apelasse "à quietude e à interioridade. Um lugar para atletas, famílias ou simples amantes do desporto e da mãe-natureza".



Fiel à ideia original do politico, o primeiro Regulamento de Exploração do Estádio Nacional, de 1948, defendia que a gestão do Estádio devia ser feita, "tendo sempre em atenção o propósito de fazer do Estádio Nacional uma escola de educação física e de desporto para todos os portugueses".

Ao contrário, foi aprovado já em 2014 o Plano de Pormenor da Margem Direita da Foz do Rio Jamor que contempla a construção de um viaduto sobre a Avenida Marginal e pela empresa proprietária dos terrenos, o Grupo SIL, um investimentos de 300 milhões de euros em de cinco torres, uma delas com 20 pisos, destinadas a habitação, comércio e serviços para uma área de 15 hectares junto ao rio Tejo, na freguesia da Cruz Quebrada.

O engenheiro, que deixou o seu nome ligado, entre outras obras, à construção do Estádio Nacional, a marginal Lisboa-Cascais, a Fonte Luminosa, em Lisboa, Parque de Monsanto, viria a falecer aos 43 anos em 16 de Novembro de 1943 num acidente automóvel, ainda antes da inauguração do Estádio Nacional que decorreu perto de meio ano depois, a 10 de Junho de 1944. A sua morte vira a comprometer a politica de obras publicas de Oliveira Salazar e a continuidade de alguns dos projecto, nomeadamente o plano inicial para o Estádio Nacional.

Quando foi extinta, em 1948, a Comissão Administrativa das Obras do Estádio de Lisboa, instituída para dirigir e administrar a sua construção, ficaram por concretizar numerosas instalações previstas no plano geral inicial, nomeadamente: as piscinas e o tanque para saltos, o hipódromo com as pistas de corridas, bancadas e picadeiros, courts de ténis, campos de futebol, voleibol, basquetebol e um ringue de patinagem, e balneários. Também não se construíram os campos de futebol, voleibol, ténis e tiro para a Mocidade Portuguesa, um albergue e a Escola de Graduados, tudo a realizar na Quinta do Balteiro. E ficou por regularizar o curso do Rio Jamor e o acesso do complexo desportivo ao rio Tejo.

Do controverso estadista Duarte Pacheco e da sua personalidade conta-se que durante o vasto processo de expropriações que permitiam viabilizar as vias de comunicação, assim como o  Parque Monsanto e o Estádio Nacional, teria entrado com a sua comitiva na Quinta da Graça, no Jamor, sem autorização para inspeccionar os terrenos. A sua proprietária foi avisada pelos trabalhadores quando estava a acompanhar as culturas agrícolas. Montada a cavalo, não esteve com meias medidas: esporeou o cavalo e expulsou os invasores sem quaisquer contemplações. Essa ousadia saiu-lhe cara. O ministro de Salazar deu-lhe apenas três meses para deixar a quinta e, como não o conseguiu fazer, teve de pagar renda na sua própria casa durante vários meses até conseguir arrendar uma outra propriedade na Cruz Quebrada. Esta história exemplifica bem o poder de Duarte Pacheco, apoiada na politica do Estado Novo.



Hoje, felizmente, em democracia tudo é diferente. Já não é um regime ditatorial que impõem expropriações forçadas para a construção de infraestruturas publicas desportivas e redes viárias.

Hoje, tudo em democracia, são os interesses privados que se impõem, com todos os pareceres necessários e o voto da maioria dos partidos municipais, para decidir sobre terrenos públicos  e privados, subordinando os primeiros aos últimos e permitindo a apropriação e instrumentalização de terrenos públicos para fins privados.

Quando se deveriam aproveitar todas as oportunidade para melhorar e aumentar aquele que é um património arquitectónico desportivo, nas palavras de Paulino Pereira em "Estádio Nacional - Um paradigma da Arquitectura do Desporto e do Lazer -, "talvez a única estrutura desportiva, de grande dimensão e com carácter nacional, que o País possui e constitui um primeiro marco na história das infra-estruturas desportivas de Portugal" , os poderes autárquicos e nacionais optam pela politica do betão.

Numa politica que tem vindo a pressionar o CDNJ com projectos imobiliários de grande dimensão no seu interior como a Cidade do Futebol, ou nas suas margens como é o Alto da Boa Viagem ou este junto à Praia da Cruz Quebrada, o plano de pormenor da Câmara de Oeiras que abrange uma área de 27,6 hectares na Margem Direita da Foz do Rio Jamor, foi aprovado pela Assembleia Municipal de Oeiras. Cinco edifícios destinados a habitação, comércio e serviços, um hotel e estacionamento. Contempla ainda construção de um viaduto sobre a marginal. Implantadas quase em cima da foz do Jamor, a escassos metros do rio Tejo, em zona de elevadíssimos riscos naturais, vulnerável aos riscos de cheia (fluvial), inundação (marinha)  ou erosão costeira.

http://endurance1963.weebly.com/








sexta-feira, 19 de junho de 2015

O farol da Mama de Carnaxide, marca da Mama ou Mama Sul.



O farol da Mama , marca da Mama ou Mama Sul é um farol português (que é também marco geodésico), que se encontra edificado numa elevação de 145 metros de altitude na Serra de Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, a cerca de 4 km a NE (nordeste) do Farol do Esteiro.

O farol  o marco


O farol consiste num monumento branco com três pés, estando a lanterna instalada numa plataforma a 10 metros de altura.



As condições de navegabilidade e segurança oferecidas pelo estuário do Tejo favorecem, desde sempre, a presença humana na área. Os vestígios mais antigos dessa presença datam da pré-historia.
Os historiadores acreditam que os Fenícios, no séc. XII a.C., reconheceram os méritos da localização de Lisboa e estabeleceram um porto comercial na Margem Norte do rio Tejo.
A importância estratégica de Lisboa não escapou ao conhecimento de outras nações de marinheiros e exploradores, o que em 205 a.C., terá motivado a conquista da cidade pelos Romanos e seu baptismo como Olissipo que recebeu o epíteto de “Felicitas Lulia”. Com a queda do Império Romano, seguiram-se os Suevos e os Visigodos que controlaram a cidade desde 472 d.C. Os Mouros tomaram Lisboa – Asch-Bonnah – em 714 d.C. e desenvolveram o porto através das suas actividades comerciais mediterrânicas e atlânticas.
No séc. XI o processo de reorganização interna da Europa conhece novo rumo e, com o desenvolvimento das cruzadas, o tráfego e o comércio marítimo sofreram consideráveis acréscimos. D. Afonso Henriques, apercebendo-se da importância estratégica da cidade de Lisboa no contexto internacional, dirigiu os seus movimentos de expansão para sul, com vista a estabelecer uma zona de influência portuguesa ao longo da costa conseguindo garantir o apoio das cruzadas para a conquista da cidade de Lisboa, fundamental para o domínio do estuário do Tejo, porto natural de grandes dimensões que melhoraria em muito a importância do território neste contexto europeu. Assim, a 28 de Junho de 1147 entra no Tejo uma frota com 164 navios transportando um exército de 13.000 cruzados.
Tendo desempenhado um papel fundamental na conquista da cidade de Lisboa aos mouros e, posteriormente, na defesa da nacionalidade, o porto está estreitamente ligado à cidade que com ele nasceu e prosperou.
No início do séc. XIII os métodos de navegação evoluem bastante, com a utilização da bússola como auxiliar da navegação e a introdução do leme de cadaste, trazendo mais estabilidade e maneabilidade às embarcações. Controem-se navios de maior dimensão e maior capacidade de carga.
Quando surgem, no primeiro quartel do séc. XIII, as primeiras linhas regulares do Mediterrâneo para Inglaterra e Norte da Europa, pelo Estreito de Gibraltar, Lisboa é escala obrigatória para todos os navios em trânsito pela costa portuguesa.
Usufruindo de uma situação geográfica invejável, o porto de Lisboa vai facilmente inserir-se nas rotas marítimas internacionais.

 Os mareantes e pescadores de Lisboa a Cascais familiarizaram-se desde muito cedo, com o Tejo e a sua barra. Os mais sábios e experientes de entre eles, os chamados "práticos do rio", aprenderam, na sua faina diária, pela observação continuada as leis naturais que regiam o ciclo das marés, o sentido das correntes, o regime dos ventos, o movimento das areias, a natureza dos fundos como conduzir as suas embarcações pelos canais de navegação.
 O reconhecimento da importância que tinham enquanto grupo social e de valor de informação prática que possuíam ficou registado na Carta de Privilégios do Pilotos da Barra de Lisboa", atribuída por El Rei Dom Manuel, em 1515, documento que lhes concedeu diversas benesses como a isenção de taxas e servidões, deste modo o Rei procurou garantir o serviço de pilotagem aos navios marcantes que entravam na barra, cujos porões carregados de especiarias e mercadorias de múltiplas paragens sustentavam a prosperidade do reino.
 Até meados do século XIX, continuou a recorrer-se ao serviço de pescadores e mareantes com matricula de pilotos, Só a partir de então a pilotagem cederia progressivamente o seu lugar à pilotagem cientifica.
 Até tempos recentes, apesar dos avanços científicos que a arte de navegar registou, mantiveram actualidade as palavras escritas pelo cosmógrafo Manoel Pimentel, que, em 1712, advertiu que as balizas terrestres que referenciavam os enfiamentos dos canais da barra do Tejo (entre eles a elevação onde se encontra hoje o farol da "Mama" de Carnaxide), serviam "somente para quem tiver muito conhecimento dos sítios, os quaes não se podem declarar por escrito"
 Cartografar a Barra do Tejo terá sido assim uma necessidade urgente e vital. O grande aumento do tráfego mercantil da cidade de Lisboa, na época quinhentista, por um lado e o aumento do calado dos navios por outro, assim o obrigou. Registar a topografia do porto, as sondas dos fundos, os escolhos e formações arenosas, os canais de navegação e os enfiamentos foi decerto uma preocupação que passou a ser partilhada pela coroa, os cosmógrafos ao seu serviço e também os das nações marítimas estrangeiras.

1583  Carta da Barra do Tejo, Lucas Waghenaer (1533-34- 1606)  Spieghel der zeevaerdt

 As mais antigas representações da Barra do Tejo são de origem estrangeira e pertencem a atlas holandeses, datam de 1572/80 e de 1583(1), é correcto pensar que estes registos se terão baseado em trabalhos anteriores de navegadores portugueses ou de estrangeiros ao serviço da coroa. Muito pouco separam os registos quinhentistas e seiscentistas dos de finais de setecentos, ainda que a configuração da linha de costa tenha progressivamente adquirido contornos mais claros e aproximados e mais informação de natureza náutica (maior nº de sondas e sinalização dos canais de navegação), é np século XVIII (1607) que nos aparece o primeiro registo do ponto de referência hoje conhecido por monte da "Mama" de Carnaxide, na "Planta de la Barra de Lisboa", de Leonardo Turriano, escala 100 braças. In "Discurso de Leonardo Turriano sobre limpiar la Barra del Texo y otras barras de otros rios", por essa altura teria já deixado de ser apenas um elevação de referência e teria já sido construído um edifício em forma de seio (que penso ter sido a origem da nomenclatura hoje atribuída ao local), de modo a que fosse melhor visualizada da entrada da barra. Apesar da marcação do ponto de referência do Farol da Mama aparecer registado em 1607 já com uma edificação construída, terá evidentemente sido utilizado como marco de navegação em épocas muito anteriores, provavelmente desde o tempo da ocupação romana.


1607 Planta de la Barra de Lisboa, de Leonardo Turriano


Legenda 1 - Edifício construído provavelmente em finais do século XVI inicio do século XVII para assinalar a elevação que desde tempos muito antigos marcava a rota de entrada no Tejo o  o Canal da Barra Sul
2 - Rota do canal da Barra Sul, devidamente assinalada e enquadrada com o farol da Mama de Carnaxide

 Após a constatação de que teria existido um edifício anterior ao farol actualmente existente na elevação, deslocamos-nos ao local e conseguimos identificar, perto da actual estrutura os vestígios da marca original como mostramos nas fotografias abaixo.







O farol de Carnaxide faz portanto parte do sistema de balizagem de um dos principais canais de navegação do Estuário do Tejo, o Canal da Barra Sul. Conforme se pode ler no Regulamento da Autoridade Portuária de Lisboa, na página 65 da versão de 2008:
"o eixo deste canal é definido pelo enfiamento dos faróis da Gibalta e Esteiro com a marca da Mama Sul"

É comum a oscilação entre as designações de marco (ou vértice) geodésico e de farol. Estranho é que as entidades competentes sejam omissas quanto à sua referênciação. A Direcção de Faróis não o lista como tal (talvez porque, oficialmente, é apenas uma marca de balizagem, como refere o Regulamento da APL), ao contrário da Revista da Armada, que o refere a páginas 145 da sua compilação de revistas do ano de 2006 como Farol da Mama (mas também como Marca da Mama). O Instituto Geográfico do Exército refere-o como vértice geodésico de 2.ª ou 3.ª ordem, mas o Instituto Geográfico Português omite-o dos resultados da busca na Rede Geodésica Nacional (surge, porém, na listagem do sistema ETRS89).

Na página da Junta de Freguesia de Carnaxide menciona-se que "o chamado «Foguetão de Carnaxide» [é] uma construção erigida na elevação de 145 metros de altitude junto a um marco geodésico existente na localidade". Assim sendo, não será um vértice com a função de farol, mas sim um vértice e um farol muito próximos.

 As obras recentes tiveram, sobretudo, a função de elevar o farol, cuja visibilidade viria a ser comprometida pela construção de edifícios altos nas redondezas. Na verdade, a elevação e a nova pintura dão-lhe um aspecto mais consentâneo com um farol, mas as obras circundantes estão, aparentemente, paradas: depois de terraplanagem e construção de algumas infra-estruturas (arruamentos, iluminação pública e lugares de estacionamento), o local foi deixado abandonado

Foi iluminado em 1995 com uma lanterna direccional “Tideland” RL-355. Possui uma altura de 15 metros a uma altitude de 82 metros, para atingir o alcance luminoso de 21 milhas náuticas.

Foi remodelado em 2013(2)pela firma Lindley sob supervisão da Direcção Geral de Faróis, aumentando a sua intensidade lumínica para 400.000 candelas por unidade, permitindo alcances superiores a 10 MN de Dia e 24MN de noite, esta instalação permite a sincronização por GPS dos faróis da Gibalta, do Esteiro e da Mama e monitorização via web do estado de funcionamento do farol.

(1) o Spieghel der Zeevaerdt (1584-85) e o Thresoor der
Zeevaert (1592) de  Lucas Jansz Waghenaer

(2) remodelação 2013 - http://www.revistademarinha.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2795:grupo-lindley-renova-o-farol-da-mama-&catid=101:actualidade-nacional&Itemid=290